Porque temos medo? 

Evolução, medo e filmes de terror.

O medo é encontrado em todos os homo sapiens, indiferente de cultura, raça ou credo. Mas você já se perguntou porque temos medo? E por que gostamos de assistir filmes de terror? De acordo com a Psicologia Evolucionista, deve ter algum beneficio em ter medo, mas qual o benefício de ver filmes de terror?



O sentimento de medo certamente foi útil para a sobrevivência da espécie. Imagine um homo sapiens que não sentisse medo algum de entrar no meio de um bando de leões e matar um dos filhotes por exemplo, o resultado é previsto.
Entretanto, um mecanismo de evitar ameaças que fosse completamente eficiente também não seria uma adaptação positiva, por exemplo: para evitar o contato com cobras ou aranhas, passaríamos o tempo todo refugiados, cuidando neuroticamente todos os cantos .

Mas então como surgiu o medo? Para resolver este problema, o nosso cérebro encontrou uma adaptação com efeitos positivos, tornando-se um mecanismo eficiente o bastante para nos manter longe de riscos (predadores naturais e outros perigos), mas que não nos deixasse no outro extremo, sentido medo de todo perigo em potencial. Então logicamente haver alguma recompensa caso enfrentássemos algum perigo e saíssemos vivos. E é exatamente isso que acontece. Logo após sairmos do estado de alerta do medo, o cérebro libera uma substancia chamada dopamina, que nos acalma e nos dá uma sensação de prazer.


Ok, temos medo como um instinto, para evitarmos perigos reais, mas então por que algumas pessoas têm medo de cachorro e outras não? Isso pode ser explicado através de aprendizagem e condicionamento. Calma, eu explico: algumas pessoas podem ter medo de cachorro devido a uma aprendizagem ao longo da vida que as induziu a pensar que um cachorro pode representar perigo (uma mãe super protetora por exemplo), ou talvez esta pessoa já tenha sido realmente atacada por um cachorro, o que condiciona a pensar que cachorros representam um perigo (ou revivem um trauma).
É claro que isso varia de caso para caso, mas em geral, é mais provável que você tenha mais medo de aranhas do que de cachorros. Isso porque alguns medos são mais comuns aos homo sapiens, e evitar contato com os causadores destes medos nos trouxe benefícios (um indivíduo que evitava andar em ribanceiras provavelmente viveu mais tempo do que um individuo que não sentia medo algum).


Mas se o medo serve para evitar algum perigo, porque gostamos de assistir filmes de terror? Primeiramente é importante lembrar que o medo sentido em filmes de terror sobre sequestro, não é o mesmo tipo de medo que sentimos ao sermos realmente sequestrados (e é claro que você não precisa ser sequestrado para saber disso). Temos alguns mecanismos que nos fazem interpretar os pixels que aparecem na tv como pessoas (e não como milhares de pixels coloridos), e a partir disto podemos ter empatia para com esta. Empatia, em uma definição simples, é a ‘capacidade de se colocar no lugar do outro’, e a partir disso podemos sentir medo vendo um filme.


Essa empatia também explica o porque de não sentirmos medo ao ver um monstro mal feito, como no clássico exemplo do filme ‘the giant claw’, onde um monstro provocou risos ao invés de pavor, declarando o fim da carreira do diretor Fred F. Sears . Mas quando o filme é muito bom, podemos entrar até demais no clima, surgindo algumas ‘paranoias momentâneas’ Resumindo: precisamos entrar no clima do filme. Mas porque?


Lembra da dopamina, citada anteriormente? Pois saiba que ela é a culpada. A sensação de bem estar é algo quase viciante, porém se estamos sempre calmos, não tem porque o cérebro libera-la. A dopamina age no corpo dando-nos a sensação de prazer e motivação, e é isso que buscamos ao ver filmes de terror, essa sensação de que ‘sobrevivemos ao perigo’.
Quanto a essa ultima explicação, existem teorias que formulam que não seria exatamente isso, mas justamente o fato de identificarmos como um perigo irreal, mas para mim a primeira faz mais sentido.
I


Por que temos medo de errar ou de acertar?

"Muitas vezes calamos por medo de perder o que temos (ainda que não estejamos satisfeitos com o que temos), outras vezes por receio do julgamento alheio (ainda que, efetivamente, o outro não esteja muito preocupado com nossas formas de vida). Temos, às  vezes, a impressão de vivermos uma história criada por outras pessoas. Por outros seres"

Esse é um dos problemas que provoca o isolamento, trazendo grandes sofrimentos. Por que temos medo de errar e, conseqüentemente, nos isolamos?”
Relembremos parte da definição de solidão do Dicionário de Filosofia de Abbagnano, que serviu como fonte para a reflexão da leitora que enviou a questão: “Em sentido próprio, contudo, a solidão não é isolamento mas antes a busca de formas diferentes e superiores de comunicação: Ela não dispensa as ligações oferecidas pelo ambiente e pela vida cotidiana a não ser em vista de outras ligações com homens do passado e do porvir, com os quais seja possível uma forma nova ou mais fecunda de comunicação. O fato de ela dispensar aqueles liames é pois a tentativa de tornar-se livre deles para tornar-se disponível para outras relações sociais”.

Expor conteúdos distintos do habitual pode trazer solidão

O sentido próprio por ele proposto, busca de formas diferentes e superiores de comunicação, traz uma acepção diversa daquelas tratadas aqui anteriormente, mas não tão distante delas. Expressar a própria voz, falar em próprio nome, colocar-se – independentemente de ser apoiado ou não pelos outros, expor-se com formas e conteúdos distintos do habitual, criar novos e próprios modos de vida: novamente um movimento que exige a solidão, mas uma solidão capaz de criar, capaz de transpor os limites traçados pelo entorno.

Por que nos calamos?


Diferentemente da solidão calada que causa sofrimento, o transbordar, o “esvaziar a taça” –  conforme proposto em textos anteriores – é uma solidão comunicativa, é o assumir-se só para tornar-se livre, para encontrar-se disposto à criatividade. Às vezes nos calamos por medo de errar, e isso nos causa sofrimento. Às vezes nos calamos porque o lugar existencial no qual vivemos não nos satisfaz, mas é cômodo e confortável. Questioná-lo é colocar em risco a comodidade, a estabilidade, a garantia de que “tudo permanecerá o mesmo”. Ter essa garantia pode ser importante nas condições em que “tudo está bem”, em que estamos plenamente satisfeitos com nossas formas de vida, com o que nos rodeia, com o que fazemos de nossa existência.

Mas nem sempre é isso o que ocorre. Muitas vezes calamos por medo de perder o que temos (ainda que não estejamos satisfeitos com o que temos), outras vezes por receio do julgamento alheio (ainda que, efetivamente, o outro não esteja muito preocupado com nossas formas de vida). Temos, às  vezes, a impressão de vivermos uma história criada por outras pessoas. Por outros seres.

Roteiro alheio

Você já se sentiu assim, como se vivesse um filme, uma ficção, um roteiro produzido por outra pessoa? E nesse contexto, quantas foram as vezes em que você se manteve nessa situação por medo de assumir a responsabilidade por escrever o roteiro de sua própria vida?   Muitas perguntas podem habitar nossos pensamentos: “E se não der certo? E se isso me levar a uma situação difícil e irreversível? E se eu não for feliz?”.

Há, inclusive, pessoas que consideram o roteiro já escrito: “eu sou assim, a vida me tornou assim (ou nasci assim) e não há como mudar”; “é meu destino”; “fizeram isso comigo”; “não aprendi a viver de outra maneira”; “depois deste fato (um acontecimento determinado), jamais serei feliz (com variantes como: a vida perdeu o sentido; a alegria de viver me abandonou...)”...  Algumas dessas pessoas não consideram a possibilidade da mudança, não acreditam que são capazes de transformar suas vidas, ficam presas a uma situação existencial que afirmam não terem escolhido, mas continuam escolhendo manter tal situação diariamente, embora não assumam – ou se enganem, fingindo para si mesmas não assumir – a responsabilidade por essa escolha.

Não afirmo que todos os casos em que isso ocorra sejam casos de “má-fé”, muitas vezes o que ocorre é ignorância, desconhecimento das potencialidades, cegueira existencial. Somos educados, habituados, a eleger culpados, a encontrar desculpas, a nos esconder de nós mesmos e dos outros. Aprendemos que somos incapazes, incompetentes, fracos, que não é possível lutar contra o que já está estabelecido, como se o processo de estabelecimento fosse da própria natureza, uma natureza previamente determinada, que não suporta modificação. Nos esquecemos que se há algo estabelecido em nossas vidas, ou na sociedade contemporânea, esse algo estabeleceu-se através da criação e da ação humanas.

Nietzsche


“Seja qual for o ponto de vista da filosofia em que hoje tomemos posição: visto a partir de cada posição, o caráter errôneo do mundo em que acreditamos viver é o que de mais seguro e mais firme nosso olho pode captar: encontramos fundamentos e mais fundamentos, em compensação, que poderiam induzir-nos a suposições de que há um princípio enganoso na “essência das coisas”. Quem, porém, faz de nosso próprio pensar, e portanto “do espírito”, o responsável pela falsidade do mundo – uma honrosa saída, adotada por todo consciente ou inconsciente advocatus dei -, quem toma esse mundo, juntamente com espaço, tempo, forma, movimento, como falsamente inferido: este teria pelo menos um bom ensejo para aprender, afinal, a desconfiar do pensar mesmo e de todo pensar: não nos teria ele, até agora, pregado a maior de todas as peças?” (NIETZSCHE. Para além de bem e mal. Cap. 2, § 34).

Se criamos uma forma de vida que nos sufoca, que não nos satisfaz, que nos “rouba” a alegria da vida, por que optamos por sua manutenção? Por que não a modificamos? Por que não construímos uma forma de vida diferente dessa?

Alguns respondem: “Se fosse fácil!”; “Se dependesse de mim...”. De fato, não é fácil dar passos diferentes dos já conhecidos, não é fácil assumir caminhos totalmente novos. E há que se considerar que nem tudo depende de nós. Todavia, muito depende de nós: nossa aceitação, nossas escolhas, nossos posicionamentos, nossas formas de lidar com as dificuldades, nossas interferências no mundo que nos rodeia. E se começássemos pelo que depende de nós?
Então surge a questão proposta pela leitora: mas só eu!? E vou arcar com o ônus da exclusão, da discriminação? Mas será que o que penso faz sentido? E se eu tiver enlouquecido e minhas ações me levarem a gerar um grande problema para mim e para todos os que estão próximos a mim? E se eu provocar um desequilíbrio no universo, uma guerra social?

Obviamente, as grandes tragédias se iniciaram com ações individuais, mas com o assentimento de grandes parcelas do todo social. Não temos garantias do resultado efetivo de nossas ações, de nossas escolhas, mas temos responsabilidade sobre elas. Não temos garantias precisas, mas podemos prever muitos desses resultados. Para isso é necessário conhecer o que se pretende modificar.

Espelho


É interessante observar como é comum nos afastarmos, negarmos, excluirmos aquilo com o que não concordamos, ou aquilo que não nos é familiar. Olhamos para o espelho, não gostamos do que vimos e, imediatamente, jogamos o espelho fora, ou o cobrimos para não ver mais.

E se ao invés disso examinássemos com mais profundidade o que estamos vendo, o que nos incomoda, por que nos incomoda? E se nos dispuséssemos a conhecer o que não nos é familiar? E se buscássemos compreender os motivos para não concordarmos com determinados modos de vida?

Mas nesse exercício, outro tipo de questão surge: o medo acertar.  “E se acontecer, exatamente, como eu planejo? E se eu conseguir? E se eu for feliz? E se eu conseguir e não me satisfizer? E se tudo perder o sentido?”...

Medo

Muitos de nós fugimos de nós mesmos. Escondemos nossas perspectivas, nos calamos  e embarcamos em devaneios solitários por medo, não somente do julgamento alheio, mas também de nós mesmos. Ocorre, em certos casos, como se buscássemos incessantemente a nós mesmos, mas temêssemos nos encontrar.  O que tememos?

“Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar a minha vida. Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente” (JASPERS, K. Introdução ao Pensamento Filosófico).

Talvez nosso temor esteja em descobrir a necessidade de sermos nós mesmos, de assumirmos a responsabilidade sobre nossas formas de vida, em sermos, necessariamente, livres para abandonarmos a cômoda situação em que nos encontramos – nos desculpando diariamente por sermos como somos – e, definitivamente, sermos os construtores de nós mesmos.


"É natural sentir medo ao ter de tomar uma decisão importante" Somos seres simples que, de tão simples, nos tornamos complexos. Complexos demais.
Todos os outros animais na natureza reagem com base em seus instintos, mas nós, seres humanos, podemos refletir sobre nossos instintos. Nós possuímos a capacidade de pensar até sobre nossos pensamentos e sobre a maneira como pensamos.
Isto que aparentemente é nossa maior vantagem torna-se também nosso maior obstáculo, porque o papel da imaginação em nossas vidas modifica totalmente a realidade.

Há diversas situações com as quais todos nós temos que lidar no cotidiano, disciplinas essenciais na universidade da Vida. E uma das matérias mais difíceis é “como lidar com o medo”.
Três lições que o medo nos ensina:

1ª) Não devemos nos culpar por sentir medo!


Se você começa a se culpar por estar sentindo medo só agravará o problema, porque além do medo estará incluindo o peso do sentimento de culpa, que é altamente destrutivo, muito mais que o próprio medo.

Não se culpe por sentir medo, todos os seres humanos sentem medo, inclusive aqueles que demonstram ser destemidos. Lembre-se sempre dessa verdade essencial: Corajoso não é quem não tem medo, corajoso é quem segue em frente apesar do medo.

A coragem não é a ausência do medo, mas a disposição de não permitir que ele impeça você de caminhar.

2ª) Sentir medo é bom e importante




O medo nos conduz a uma atitude de respeito e atenção diante dos desafios da vida. Na ausência do medo, nossos antepassados não teriam fugido dos predadores e a humanidade poderia estar extinta. O medo é um sentimento que busca nos preservar e nos conduzir a uma posição mais segura. O medo deve ser um sinal de atenção e cuidado, nunca de desistência. Desistir é entregar-se passivamente, sem direito à luta!

O medo faz parte de você, não você do medo. Não deixe que a parte domine o todo. Não se deixe dominar pelo medo, porque nada nos domina sem a nossa permissão.

3ª) Meu medo é natural ou já virou doença?


O medo se torna patológico quando começa a se manifestar fora de hora e sem propósito. Pense em um sistema de alarme contra incêndios: Se houver um princípio de incêndio e ele não disparar, não serve para nada e nos expõe ao risco, mas, se ele disparar por causa da fumaça de um bife na frigideira, também estará com defeito. Esse alarme só deveria disparar em risco real de incêndio. O mesmo acontece com o medo, ele é um alarme fundamental em nossa vida, mas não pode disparar a todo instante e por questões que não coloquem verdadeiramente em risco nossa segurança.

É natural sentir medo ao ter de tomar uma decisão importante. Quanto mais importante a decisão, maior o medo. Nessas condições, o tamanho do medo lhe diz a importância que as repercussões terão em sua vida.
A imaginação e a ansiedade alteram drasticamente o equilíbrio do sistema de alarme psicológico e biológico do medo. A sombra do monstro no cinema é sempre maior que o monstro e, o som que ele emite é mais assustador que sua aparência. Desligue o som e esqueça a sombra. O “monstrinho” ficará bem mais fácil de encarar, às vezes até simpático.

Impermanência

A questão é que sempre imaginamos as coisas como se elas fossem definitivas e o medo de errar torna-se insuportável. Mas sejamos sinceros, quantas coisas realmente absolutas e definitivas você conhece na vida?
A vida é feita muito mais de coisas transitórias que definitivas. Seu emprego pode mudar, seu casamento pode acabar, você pode perder um excelente negócio, mas nada disso é, de fato, definitivo. O emprego perdido pode ser recuperado, ou você pode encontrar outro ainda melhor. O casamento que acabou hoje poderá reviver amanhã com mais maturidade e qualidade, ou você pode encontrar um relacionamento superior que lhe permita ser muito mais feliz. Negócios se perdem e se fecham todos os dias, sua vida não depende de uma única decisão, mas de um conjunto delas!

Ansiedade reforça presença do medo

A ansiedade é outro elemento que reforça a presença do medo. Pessoas ansiosas sentem que sempre está faltando algo que deveriam fazer imediatamente ou ter feito antes para se sentirem seguras e, por isso, aumentam as consequências do medo. Basta observar que ninguém tem uma crise de pânico sem antes apresentar distúrbios de ansiedade. Esses distúrbios possuem duas causas básicas, que podem ocorrer juntas ou separadas: desequilíbrio da química cerebral e dificuldades psicológicas de enfrentamento da realidade.

Mecanismos do medo saudável




Sinta-se convidado para o grupo dos que sentem o medo saudável, aquele que nos ensina:
1º) o que devemos evitar;

2º) ao que devemos estar atentos;

3º) por que permitimos que algumas coisas tenham tanto poder sobre nós?
Compreenda que muitos medos são simplesmente fruto da imaginação, da vaidade e da ansiedade. Você não é covarde porque sente medo. A única covardia é desistir de compreender os mecanismos que te levam a sentir tanto medo. Sim, eu sei, às vezes dá medo de conhecer as causas do nosso próprio medo. Pense com bom humor, medo você já tem mesmo, então é melhor que ele seja útil e lhe sirva de estrada para compreender melhor a você, aos outros e à própria vida.


        MEDO DE NÃO TER MEDO



Imagine como seria bom não ter medo de nada. Viver a vida tranquilamente, sem qualquer tipo de temor … de bandidos, sequestradores, aranhas, cobras, aviões ou seja lá o que for que meta medo em você.
Imaginou?

A princípio, parece um bom negócio. Mas não se deixe enganar: o medo é absolutamente essencial à nossa sobrevivência! Imagine se você, que vive na selva de pedra da cidade, não tivesse medo de um bandido armado que entrasse na sua casa ou que te abordasse na rua. As chances de você fazer uma bobagem e levar um tiro seriam muito maiores. Ou imagine se você entrasse numa selva de verdade e saísse acariciando cobras e tigres por aí, achando tudo muito bonitinho … as chances de levar uma picada, ou uma mordida, ou morrer certamente seriam muito maiores.



(Antes de continuar, é preciso fazer uma distinção entre bravura, conhecimento e ausência de medo. Um índio da Amazônia não se assusta com uma aranha ou uma cobra, mas isso não significa que ele não sinta medo. Ele simplesmente conviveu o suficiente com esses animais para saber lidar com eles. Ele sabe como eles se comportam, quais são venenosos ou não, quais são agressivos ou não, etc. Ele sabe que uma tarântula no chão da floresta não vai de repente pular na sua cara para tentar matá-lo, por exemplo.  É só não mexer com ela que tudo bem … Assim como um policial que enfrenta um bandido e um bombeiro que entra num prédio em chamas também sente medo. A diferença é que eles foram treinados para enfrentar esse tipo de situação, e por isso conseguem controlar o medo instintivo que normalmente paralisaria outras pessoas numa situação semelhante.)

Por que estou falando disso? Por causa de um estudo muito curioso publicado na revista Current Biology. Nele, os cientistas relatam o caso de uma paciente que teve as amígdalas totalmente destruídas por uma doença (não as amígdalas da garganta, mas as do cérebro). As amígdalas cerebrais são estruturas internas parecidas com ameixas que estão diretamente envolvidas na geração das sensações de medo e atenção que nos permitem evitar situações de perigo, sair correndo delas quando possível ou até enfrentá-las, quando necessário. Isso ocorre por meio da liberação de neurotransmissores no sistema nervoso, que induzem a liberação de adrenalina na corrente sanguínea, ordenam o coração a bater mais forte, aceleram a respiração, aumentam nosso estado de alerta e várias outras reações fisiológicas que nos preparam para uma situação imediata de “lutar ou correr”.

“A amígdala está constantemente analisando todas as informações que passam pelo nosso cérebro, vindas dos diferentes sensores (visão, audição, olfato, etc), tentando identificar qualquer coisa que possa ameaçar nossa sobrevivência”, explica o pesquisador Justin Feinstein, da Universidade de Iowa. “Quando detecta algum perigo, ela comanda uma cascata de respostas fisiológicas que nos impelem a manter distância do perigo, aumentando, assim, nossas chances de sobrevivência.”

A paciente descrita no estudo é uma mulher de 44 anos, identificada pela sigla SM. Ela sente felicidade, tristeza, preocupação, é inteligente, social, dá risada quando vê alguma coisa engraçada … mas não sente medo. Pode enrolar uma cobra no pescoço dela ou mostrar o filme mais aterrorizante de todos os tempos que não adianta. Nada! Medo zero. De resto, tudo normal.
Os resultados não são exatamente uma novidade. Já faz tempo que os cientistas conhecem a relação entre as amígdalas cerebrais e o medo, com base principalmente em experimentos com animais. Mas confirmam de maneira contundente em seres humanos que sem amígdalas, de fato, não há medo. E que outras sensações, aparentemente, não são afetadas.
O mais incrível, para mim, é imaginar (ou melhor, saber) que uma sensação tão instintiva quanto o medo pode estar tão intimamente ligada a uma estrutura física … uma peça de uma máquina sem a qual ela não funciona. Muitos dos nossos medos mais básicos são realmente instintivos, no sentido de que nascemos com eles embutidos no nosso cérebro. Crianças têm um medo natural de coisas rastejantes e cheias de pernas, mesmo que nunca tenham sido picadas por uma delas, porque a evolução nos adaptou para isso ao longo dos milhões e milhões de anos que convivemos com animais peçonhentos na natureza. Está escrito no nosso DNA! E certamente no DNA da senhora SM também. Ela tem o software do medo, mas falta-lhe o hardware (as amígdalas) para fazê-lo funcionar. “É inacreditável que ela ainda esteja viva”, diz o pesquisador Feinstein.

Casos extremos como o dela são raros e ideais para a identificação de funções relacionadas a estruturas específicas do cérebro. Afinal, não há como induzir ou mesmo simular esse tipo de lesão em alguém só para fazer um estudo científico. Conhecer melhor a maneira como o cérebro processa o medo pode ser útil para o tratamento de pacientes com stress pós-traumático, por exemplo. Nesse caso, as pessoas são vítimas de um outro extremo, em que sentem um medo incontrolável, induzido por algum evento traumático sério, tipo sequestro ou situações de guerra (muito comum entre soldados). Mesmo estando em casa, longe do campo de batalha, eles sentem um medo constante de que o inimigo está à espreita, ou que uma bomba vai explodir … O medo é tão intenso que supera completamente a razão.
Algo parecido com a fobia. Lembro-me de uma chefe minha que não podia nem ver uma foto de rato no computador que já ficava morrendo de medo e nojo. Não consegui nem olhar para a imagem! Mar por que?? É óbvio que aquilo é apenas uma foto, que o rato não está lá nem vai sair criar vida no computador e pular em cima dela. Mas não tem jeito. O medo é mais forte do que a razão.
Mais uma vez, fico me perguntando se somos nós que mandamos no cérebro ou se é ele quem manda na gente. Se é que é possível separar uma coisa da outra.

http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/medo-de-nao-ter-medo/

Sentir medo é bom...!



Sentir medo é bom...!
"Ele não te deixa pular de
um avião sem paraquedas",
ou não...!

O medo me faz sentir com os pés no chão
mesmo quando eu quero sair voando.

O medo me faz mudar continuamente
mesmo quando eu quero permanecer estático.

O medo me faz exergar novidades
mesmo quando eu não quero.

Mas sempre quero superar o medo
pra ter mais medo.

É assim que eu vou vivendo.
Procurando cada vez mais
emoções fortes e aventuras extremas.

( Alma Alucinada)