Folhas

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sábado, 7 de setembro de 2013

Hipnose


Hipnose é um estado psicológico especial induzido por meio de um pêndulo, do movimento do dedo ou da voz, ela vem sendo cada vez mais utilizada como instrumento no tratamento de diferentes diagnósticos. 

A reunião de alguns textos produzidos no Egito a 1550 a.C. está entre as evidências que os povos mais antigos já utilizavam práticas da hipnose. 

A hipnose é o conjunto de fenômenos específicos e naturais da mente, que podem produzir diferentes impactos. 
O seu uso deve ser feito por profissionais especializados, sua prática por qualquer pessoa que não possuem conhecimentos técnicos da utilização da hipnose podem causar grandes malefícios, porque a hipnose não se restringe apenas à volta ao tempo e sim o tratamento de certos problemas psicológicos os quais podem ser agravados se não tratados por um profissional especializado. 

Em uma seção de hipnose, o paciente poderá fazer o regresso até uma certa idade, por exemplo, aos 7 anos que ele possuiu algum tipo de trauma: 

O paciente ao estar em uma sala hipnotizado, o médico ao passar a mão no braço do paciente e avisá-lo que está passando algum tipo de pomada, o paciente terá a sensação de que realmente o médico está passando uma pomada e sentir o cheiro da pomada (alucinação olfativa positiva) no braço dele, isso todo deve ao principal ponto da hipnose: O paciente (o hipnotizado) acredita realmente nas palavras do médico (o hipnotizador). 
Um outro exemplo, ao sentir um cheiro de pólvora e este cheiro estiver marcado seus 10 anos, então o paciente poderá regredir até os 10 anos de idade, mesmo sem a indicação do profissional. 


Utilização da Hipnose



A hipnose é muito utilizada hoje para combater fobias, depressão, diminuir sofrimentos de pacientes terminais, problemas de amnésia, correção de vícios, preparação mental para os vestibulandos, tratamento de obesidade, práticas esportivas (ajudar jogadores a terem práticas positivas nos esportes, ou seja, não praticar coisas anti-esportivas como violência, xingamentos e etc.), procedimentos cirúrgicos, insônia, envolvimentos pessoais e várias outras utilizações.

Para alguém ser hipnotizado não basta apenas alguém chegar e hipnotizá-lo, o paciente deverá acreditar neste processo de hipnose e querer ser hipnotizado, lembrando que apenas profissionais especializados são recomendados para atuar neste processo.
Hipnose Ericksoniana é uma técnica moderna no tratamento individualizado de questões físicas e mentais. Esse nome vem do criador Milton Erickson. Ao utilizar o transe hipnótico como ferramenta psicoterapêutica, o especialista firmou seu nome e dos seus seguidores na importância do respeito pelas respostas individuais de cada paciente, afinal, cada ser é único e com isso, seu histórico de vida também não pode ser comparado. 
O significado da palavra hipnose vem do grego hypnos, que pode ser traduzido como sono. Mas, na verdade, não é bem isso que acontece com a mente durante o estado hipnótico. A hipnose modifica o padrão de consciência; o indivíduo focaliza sua atenção por meio de uma indução ou de uma auto-indução, concentrando a mente e direcionando seus pensamentos e, com isso, intensificando a atividade cerebral, algo oposto ao que acontece quando estamos dormindo. 
Quando uma pessoa apresenta um comportamento indesejado emocionalmente a psicoterapia é um caminho viável de solução. Durante o tratamento psicológico, através da hipnose acontecem novos aprendizados, reorientação, recuperação e modificação para respostas mais saudáveis e de bem com a vida. A hipnose é indicada para todos que querem curar e/ou melhorar questões emocionais, tais como: 
A eficácia da técnica vem do respeito pelo indivíduo como um todo. Cada ser é único na sua história, vivencia e aprendizado. Por isso mesmo, o tratamento também é feito de forma única, não há regras muito delimitadas, pois cada caso merece uma atenção exclusiva. 
Durante o processo de cura, o paciente aprende novas respostas mais saudáveis aos estímulos habituais do dia a dia. Afinal, é bom poder ter opções na vida. Normalmente, o sofrimento vem quando não somos capazes de mudar nossas ações, quando ficamos presos e estagnados no mesmo padrão. A repetição de algo que não é bom gera sofrimento e angustia. Por isso, libertar-se dá não só alívio e certeza de liberdade, mas a garantia do domínio da própria vida e de seus sentimentos mais íntimos. 
Os fenômenos hipnóticos podem ser descritos como sendo:                               
  • Rapport - significa sintonia, aliança terapêutica e é o momento em que ocorre a ligação entre o terapeuta e o paciente
  • Catalepsia - quando ocorre a imobilização, ausência da vontade de se mover
  • Dissociação - é o pensamento, sensação ou sentimento de ser duas pessoas em uma só, sendo possível executar coisas diferentes ao mesmo tempo
  • Analgesia - o efeito de diminuição da intensidade da sensibilidade à dor
  • Anestesia - quando o paciente não sente parte do corpo
  • Regressão de idade - a recordação de algo do passado, como se estivesse vivendo aquilo pela primeira vez
  • Progressão de idade - momento de ver-se no futuro, realizando metas e objetivos
  • Distorção do tempo - quando ocorre a falta de percepção do tempo cronológico
  • Alucinação positiva - ter a percepção de algum dos cincos sentidos de algo que não está presente
  • Alucinação negativa - quando falta de percepção de algum dos cincos sentidos de algo que está presente
  • Amnésia - quando não há lembrança de partes ou de tudo que aconteceu)
  • Hipermnésia - ter uma lembrança aguçada de algo
  • Atividade ideossensória / ideomotora - são as sinalizações com o corpo em resposta a um comando
  • Sugestão pós-hipnótica - quando o paciente executa após o transe de algo pedido durante a hipnose.
Uma pessoa hipnotizada pode entrar em um transe leve, médio ou profundo. Essa variação pode ser pessoal e até mesmo momentânea. Durante um transe leve é possível perceber sinais como: catalepsia, diminuição dos movimentos, respiração e pulso lentos e, às vezes, sinais ideomotores. Num transe médio a catalepsia é mais acentuada, os músculos da face ficam soltos, o movimento de deglutição fica diminuído, há sinais ideomotores, movimentos oculares e respiração lenta. 
O transe profundo é parecido com o estágio anterior ao sono, podendo ocorrer movimentos rápidos dos olhos (sono REM, sigla inglesa que vem de Rapid Eye Moviment), é possível abrir os olhos de uma forma acordada "diferente", mas eles ficam vidrados e fixos, ou permanecem num olhar vago, pode-se falar e andar, numa atividade semelhante ao sonambulismo. E justamente por acontecer também nesse estágio o fenômeno da amnésia, é comum a pessoa hipnotizada não se recordar de ter vivido esse momento, com isso, muitos relatam terem "dormido". 
A hipnose é uma técnica segura e renomada. Havendo necessidade de tratar-se com essa técnica, procure um especialista para um tratamento adequado e de sucesso. 
Por Thiago Ribeiro


                                      Regressão
Regressão é uma técnica na qual levamos o paciente a rememorar, e até mesmo revivenciar, acontecimentos importantes do seu passado que tenham gerado conflitos internos e com eles sintomas os mais diversos na vida cotidiana do paciente, como medos, fobias e padrões de comportamento negativos, por exemplo, problemas de relacionamento em padrões que se repetem.

Por que e quando fazer regressão?
Padrões de comportamento, fobias, medos aparentemente infundados, são comportamentos gerados por acontecimentos no passado. Seja nesta vida, principalmente na primeira infância, até os 5 anos, ou mesmo em vidas pretéritas. Na verdade, padrões negativos de comportamento são causados por bloqueios gerados em algum momento da vida, (ou outra vida) em que tenha havido alguma vivência intensa do ponto de vista emocional.

Geralmente, nossa memória grava acontecimentos que tenham sido muito bons ou muito ruins para o indivíduo. Esses acontecimentos criam uma espécie de mito pessoal, uma dinâmica que se repetirá se projetando em acontecimentos semelhantes na vida presente e futura. Nestes casos, a regressão é importante pois estes acontecimentos estão sempre esquecidos e guardados no "porão" da nossa mente que é o subconsciente e que não podemos acessá-lo pelo consciente. Por isso, a regressão, ao levar o paciente a reviver estas cenas, pode reelaborar em seu psiquismo o fato, assim ocasionando a mudança profunda que se espera para sanar o conflito interno e a sedação dos sintomas.

Como é feita e quais são os métodos utilizados?
São muitos os métodos utilizados numa consulta de regressão de memória, porém, todos objetivam levar o paciente a um estado alterado de consciência. Muitas vezes utilizam-se métodos hipnóticos leves, alcançados através de música suave, comandos de voz ou batidas de tambor, etc.

Até que idade é possível regredir?
Isso depende de cada paciente. Como sabemos todo ser humano é único e tem suas histórias de vida, seus elementos pessoais, suas capacidades individuais, sua sensibilidade e sua capacidade de memorizar e armazenar lembranças. E também na abordagem espiritualista, acreditamos que algumas coisas não são autorizadas e por isso não conseguimos acessá-las mesmo na regressão.

É possível regredir a outras vidas?
Este é um assunto polêmico, pois na verdade questiona-se muito a veracidade ou não de tais vivências. Alguns críticos questionam ser na verdade criações mentais do paciente. O próprio paciente consegue diferenciar o que é criação e o que é na realidade lembranças, pois quando são estas últimas a emoção da revivência é muito forte. Na verdade, na abordagem transpessoal acreditamos que existe uma memória chamada psicogenética que guarda a consciência emocional do indivíduo, e esta não se desfaz como o corpo físico, ficando disponível a uma próxima encarnação. Não se trata de constatar a veracidade ou não da regressão ser a vidas passadas ou criação mental, mas sim o resultado terapêutico da regressão, que é visível e profundo.

Qual o perfil da pessoa que mais procura pela técnica de regressão?
Pessoas de perfis bem diferenciados, desde umbandistas e kardecistas até católicos e protestantes. Na maioria dos casos as buscas são relacionadas a padrões repetitivos de comportamento que afetam a vida afetiva principalmente com o (a) parceiro (a). O sexo, a idade e a classe social dos pacientes variam muito.
Por Roberto Dantas - psicoterapeuta em regressão e psicanalista

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O poder da mente



Sabe aqueles monges tibetanos que passam horas a fio meditando sobre a neve e frio intenso? Podemos aprender algo crucial com eles: a nossa mente é capaz de cruzar além da linha divisória que demarcamos para ela.

Em um experimento conduzido por um cardiologista de Havard, Hebert Benson, alguns monges Tum-mo foram colocados para meditar dentro de uma geladeira frigorífica, a temperaturas inferiores a zero grau, envoltos em panos molhados. Em vez de tremer ou entrar em hipotermia, em pouco tempo as cobertas estavam secas, e os monges continuavam aquecidos.

Milagre? Sobrenatural? Nada disso. É tudo uma questão de consciência. Os monges entendiam que necessitavam controlar a respiração para produzir calor. E é esse poder de consciência que explica os inúmeros casos de câncer que somem sem medicamentos; os casos também de doenças em que os médicos dão algumas semanas de vida ao paciente, e ele vive por anos e anos com saúde e outros "milagres".

Alcançar o autodomínio sobre os pensamentos é uma tarefa que requer muita determinação, resolução, firme propósito e constância. Alguns se utilizam da meditação, outros da oração, o que importa é manter a mente limpa.
O estado de consciência do ser humano é o que o diferencia dos animais e nos permite fazer escolhas. Lembre-se de algo que você fez e se arrependeu. Isso é consciência, e podia ter sido evitado caso o pensamento tivesse sido utilizado antes. E nas doenças. A vontade de viver e a mensagem enviada do cérebro para o organismo reagir e sentir-se bem é o mais importante no tratamento.
Para ter uma ideia do poder da mente, eu tive um professor em minha graduação que dava bala branca de menta para a avó dizendo que era Diazepam. A senhora passou meses dormindo feito uma criança, crente de que estava sob o efeito da droga. Após revelar o segredo à avó, a mesma resolveu deixar a dependência de lado e passou a dormir sem a necessidade de medicamento algum.

Eu acredito que se a humanidade tivesse um pouco mais de consciência, poderíamos evitar tanta violência e desgraça que causamos uns aos outros. Basta pensar um pouco antes de agir. Por que devo roubar e desgraçar minha vida e a da vítima? Eu sei aonde vou chegar usando drogas, então por que experimentar?
Se quiser se aprofundar um pouco mais, leia o livro ou veja o filme "O Segredo". E lembre-se sempre de algo muito importante: 

"Ninguém controla a sua vida, a não ser sua mente."

Jeferson Machado.

COMO USAR O PODER DA MENTE



O primeiro padrão que tenho notado é que sempre existe um fator de ligação na vida, algo que liga e une o positivo e o negativo. Existe uma força que equilibra os dois opostos e faz existir uma certa harmonia e assim realizando e materializando nossos desejos.

É como um aparelho que você liga na tomada, mas só funciona se existir outro elemento, a energia elétrica. Nossa mente funciona do mesmo modo, existe a mente consciente, subconsciente e o ponto de ligação é a nossa fé, nossas crenças e nossas emoções.



O segundo padrão que desejo compartilhar é nossa atitude. Temos a ideia errada de acreditar que quando usamos o poder da mente tudo vai cair do céu e que não precisamos nos mexer, trabalhar. O poder da mente é nossa ferramenta para materializar e alcançar sonhos, mas precisamos nos mexer, precisamos tomar uma atitude. 

Primeiro precisamos decidir o que queremos, depois mentalizar, visualizar, traçar planos que vão ajudar na conquista do que queremos, trabalhar pelo sonho e sempre ir de encontro ao que queremos, acreditando. Não adianta só visualizar algo e ficar sentado em uma cadeira esperando que tudo apareça do nada, também precisamos merecer.

O merecimento é muito importante. Só merecemos quando mostramos que queremos e só mostramos quando corremos atrás, fazemos os trabalhos necessários por isso. Vamos imaginar que você queira comprar um carro novo, você vai e trabalha, guarda dinheiro, pega empréstimos e pesquisa locais, preços e vantagens e depois de tudo você consegue comprar o carro dos seus sonhos. Você mereceu, mostrou que queria e teve um foco, foi em direção ao que queria e não duvidou ou esperou sentado.

Quando trabalhamos por um sonho, por um desejo, estamos mostrando ao universo que queremos determinada coisa e o trabalho é o modo de merecer, de impregnar o subconsciente. Muitas pessoas não conquistam seus sonhos por só sonharem, visualizarem, mas não tomar ação, não trabalhar pelo objetivo.

Outro ponto importante é a respiração. A respiração é a essência divina, é o que nos trás a vida e em muitas culturas a respiração é o elo de ligação entre o espírito e o corpo físico, o sangue é cultuado do mesmo modo. Utilizar técnicas de respiração é muito importante na hora de mentalizar e visualizar o que queremos. A respiração dita o ritmo, o relaxamento e ajuda a colocar força em nossos objetivos. Quando casamos a respiração com a visualização o ato se torna mais intenso.

Quando fazemos esforço por algo, por mais cansativo que seja, estamos indo de encontro com a realização. Nunca reclame do seu trabalho, ele pode te levar ao que deseja. Pode parecer duro, mas o trabalho é a ponte entre você e o que sonha, com o que visualizou. É como na primeira teoria, você e o seu sonho são ligados pelo trabalho.


Recomendo:


Gasparetto - O poder da imaginação




Meditação



O poder da mente vazia

Novos estudos comprovam o poder terapêutico da meditação. Resultado: essa técnica oriental de 2500 anos começa a ser utilizada pela medicina ocidental em uma série de tratamentos

Cena 1: O salão do Sports Club Los Angeles é amplo, despojado e, sobretudo, silencioso. Dentro do salão há dezenas de pessoas sentadas, imóveis sobre os tatames, pernas cruzadas e olhos semicerrados. Desafiam o corpo e a mente numa atitude de profunda contemplação interior. 

Cena 2: No 9º andar do Hospital do Servidor Municipal de São Paulo, no bairro do Paraíso, a sala repleta de tatames almofadados lembra, em quase tudo, o cenário de Los Angeles. O silêncio, o ambiente sereno, enfeitado discretamente com algumas guirlandas. A mesma assembléia de pessoas mergulhadas em seu oceano interior. 
“Ao contrário do que se possa imaginar, meditar não é cair na ociosidade mas ativar a mente”, afirma Dean Ornish, professor de Medicina na Universidade da Califórnia, em San Francisco. E o resultado disso, segundo Dean, é positivo para a saúde e o equilíbrio emocional. Em termos práticos, meditar é concentrar a atenção em uma única coisa. Pode ser o ritmo da respiração, um mantra – palavras ou sons sem significado utilizados na meditação budista –, ou mesmo o vazio universal. Parece simples – e é. Apesar disso, poucos desafios são tão difíceis para a mente turbulenta de um ocidental quanto aprender a meditar. “Não temos consciência de grande parte do estresse que existe em nós e, assim, vivemos de uma forma mecânica, no piloto automático”, diz Jon Kabat Zinn, diretor da Clínica de Redução do Estresse do Centro Médico da Universidade de Massachusetts. “A mente agitada está sempre fixada no passado ou no futuro, ao passo que meditar é concentrar-se no presente.”

Quem chegou lá garante: os benefícios da meditação começam pelo repouso corporal, que, durante o período de concentração, é superior ao do sono. “Um homem dormindo consome seis vezes mais oxigênio do que meditando”, diz o pediatra e acupunturista Norvan Martino Leite, idealizador da Sala de Meditação do Hospital do Servidor paulistano. “Os batimentos cardíacos diminuem e aumentam no cérebro as ondas alfa e teta, associadas ao relaxamento.” A velha prática oriental de aquietar a mente está se expandindo no Ocidente de um modo inédito, apoiada em pesquisas científicas que buscam comprovar seus efeitos benéficos.
A última descoberta, realizada por pesquisadores da Universidade da Califórnia, indica que a meditação contribui até para evitar o acúmulo de gordura nas artérias – um dado que, segundo os estudiosos, fecha o circuito de achados recentes sobre a função preventiva da meditação nas doenças coronárias. Um deles, apresentado no ano passado por cientistas da Universidade Harvard, inclui imagens do cérebro obtidas enquanto praticantes regulares de meditação há mais de cinco anos meditavam no interior de câmaras de ressonância magnética. As chapas atestam que as regiões do cérebro ligadas às emoções e à função cardiorrespiratória mantiveram-se em hiperatividade durante todo o tempo da meditação, detalhe que para Sara Lazar, coordenadora do estudo, tem importância fundamental. “Elas comprovam o que os meditadores dizem sentir e mostram que a meditação promove alterações quantificáveis no organismo”, diz a pesquisadora.
Estudos realizados em outras universidades americanas, entre as quais Stanford e Columbia, já haviam evidenciado anteriormente que meditar ajuda a baixar a pressão arterial e reduz a produção de adrenalina e cortisol, dois hormônios que atuam nas situações de estresse. Além disso, a meditação estimularia a produção de endorfinas, espécie de tranqüilizante e analgésico natural fabricado pelo cérebro. (As endorfinas são responsáveis pela sensação de leveza experimentada em momentos de contentamento.)
A suposta capacidade de prevenir doenças coronárias com tão pouco esforço – outra forma de levar o corpo a reagir dessa forma é suar na academia de ginástica ou praticando esportes –, despertou o interesse até do governo dos Estados Unidos, através do Instituto Nacional de Saúde. O órgão patrocina, desde o ano passado, uma pesquisa de 17 milhões de dólares sobre o emprego de meditação transcendental no tratamento e na prevenção da hipertensão entre negros americanos. Se os resultados forem positivos, a meditação poderá integrar as futuras políticas de saúde americanas.
O ritual da meditação começou há 2 500 anos na Índia e foi, depois, difundido na Ásia pelos monges budistas. Despido de seu caráter religioso, transformou-se numa das técnicas novas mais populares no círculo médico americano. Na verdade, desde que os Beatles flertaram com o guru Maharishi Mahesh Yogi, na Índia, há pouco mais de 30 anos, o número de meditadores nos Estados Unidos jamais parou de crescer. Estima-se que eles sejam 10 milhões atualmente, a maioria gente que aprendeu a meditar em hospitais e clínicas como complemento a tratamentos médicos tradicionais. (Magic Johnson, você lembra, carrega no corpo o vírus HIV.)
É desse grupo também que emergem números sugestivos sobre os efeitos benéficos da meditação. Veja: entre mais de 11 000 pacientes atendidos no Centro de Redução do Estresse, da Universidade de Massachusetts, os sintomas físicos – geralmente dores, pressão alta e problemas digestivos – teriam diminuído, em média, 40% após eles meditarem duas vezes por dia durante dois meses.
No Brasil, onde seminários de um dia sobre meditação chegam a custar 300 reais, é também através dos hospitais que a prática começa a se disseminar entre a população. O primeiro passo foi dado pelo Hospital do Servidor Municipal de São Paulo, há 15 meses. Ali, duas monjas budistas treinaram uma equipe de 24 médicos nas técnicas de meditação Ch’an Tao, uma das dezenas de variações da prática, bastante simples, que consiste em o praticante concentrar-se na própria respiração. Agora, os médicos estão ensinando os pacientes. Outra experiência, fora do Centro-Sul, é comandada por um doutor em Física Teórica pela Universidade de Waterloo, no Canadá – o indiano Harbans Lal Arora –, no Hospital Geral e no Hospital Cesar Cals, em Fortaleza. Segundo o físico, pacientes que praticaram meditação antes de se submeter a cirurgias perderam 40% menos sangue durante a operação e voltaram para casa na metade do tempo previsto. Vinte doentes de Aids, também segundo Arora, apresentaram redução no número de vírus HIV no sangue.
Obviamente, há quem veja com reserva esse súbito interesse da medicina pela meditação. Richard Sloan, psicólogo e diretor de Medicina Comportamental do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, nos Estados Unidos, por exemplo, desconfia de que se está diante de um “fenômeno de marketing”, com objetivo meramente financeiro e pouco resultado terapêutico. “Não há dúvida de que relaxar tem impacto positivo sobre o sistema nervoso, mas é discutível se isso é um efeito duradouro para a saúde ou apenas efêmero”, afirma. De qualquer modo, a adoção de meditação como complemento em tratamentos que exigem a redução do estresse não enfrenta maiores obstáculos na área médica e, por enquanto, tem o aval dos pacientes. “Há dois anos, eu mal conseguia falar devido a um efisema no pulmão e à arritmia cardíaca”, diz a empresária paulista Edda Dorothy Bragazza, atendida na clínica particular de Norvan, o pediatra e acupunturista do Hospital do Servidor. “Com a meditação recuperei a voz e me livrei da arritmia.”
Em princípio, meditar não tem contra-indicação, segundo praticantes e estudiosos. “Graças ao seu efeito relaxante, até pacientes psicóticos podem fazê-lo, desde que sob assistência profissional”, afirma o psicólogo Marlos Alves Bezerra, que acompanhou experiências com portadores de psicose maníaco-depressiva no Nordeste. O relaxamento, no entanto, é uma das etapas primárias da meditação, um estágio no qual a maioria dos praticantes costuma estacionar.
Como processo de autoconhecimento, a meditação profunda nem sempre produz uma agradável sensação de leveza a cada exercício. O objetivo da prática é limpar as memórias para que se chegue “à mente vazia, à mente aberta para a vida”, ensina Norvan. E isso pode acarretar, eventualmente, desgaste e mal-estar ao contato com as emoções mais profundas. Após essa “higienização mental”, no entanto, o resultado quase sempre é o amadurecimento interior e uma vida mais prazeroza, segundo Roger Woolger, doutor em Psicologia pela Universidade de Londres.
Foi o que descobriu o jornalista Caco de Paula, da revista Veja São Paulo, publicada pela Editora Abril. Caco atribui a seus cinco anos de prática meditativa a estabilidade emocional que lhe proporcionou mais paz e uma nova maneira de ver a vida . Nesse sentido, a meditação seria mais do que uma terapia, como lembra Sharon Salzberg, da Insight Meditation Society, em Barre, Massachusetts. “É um estilo de vida baseado na disciplina da mente.”

 Jomar Morais

jmorais@abril.com.br

Por uma mente mais clara

Meditar é simples. Mas só com a prática disciplinada se chega aos melhores resultados. É quando se alteram a percepção e os níveis de consciência
Há metafísica bastante em não pensar em nada, nos ensina Fernando Pessoa. Depois de meditar, ninguém é mais a pessoa que era antes. Eu não sou. E só tenho a agradecer por isso. Observar a respiração, entoar mantras ou simplesmente ouvir o próprio silêncio são ótimos meios de trazer a mente para casa e agir com maior atenção e serenidade. Submetidos a uma visão mais clara, alguns problemões são reduzidos à sua real insignificância. Dissolvem-se como sal na água. Eis porque cada vez mais pessoas descobrem os benefícios das práticas meditativas. Os níveis de consciência e percepção que se pode atingir são muito variáveis. Sou apenas um principiante, mas o pouco que experimentei já foi suficiente para mudar a minha vida. Comecei há alguns anos com ch’an tao, ou zazen, a meditação sentada. Depois, tive a alegria de conhecer um pouco de budismo tibetano, com sua riqueza de símbolos, mantras, movimentos de mãos, visualização de imagens e cores. Os vazios do zen, os signos múltiplos do tantra, as surpresas da meditação ativa e tantas outras técnicas levam a um só caminho: o auto-reconhecimento que nos permite desenvolver um bom coração e buscar uma vida com maior consciência e compaixão. Em muitas delas pode-se dispensar totalmente os rituais. A meditação é algo muito mais simples do que parece. Sob certo aspecto, é reconhecer as próprias emoções e transformá-las. Sob outros, é apenas ser inteiro em tudo o que se faz. A meditação não funciona quando se fala dela. Funciona quando praticada. A prática é tudo. O meditador só se aprofunda se quiser se transformar, localizar sua luz interna (todos nós já viemos com uma, de fábrica – com manual de instruções incluso). Observar-se nem sempre é fácil, mas os benefícios são extraordinários. Há muitos obscurecimentos que tornam as pessoas impacientes, raivosas, incapazes de perdoar a si mesmas e aos outros. A meditação nos deixa menos vulneráveis a esses comportamentos venenosos que, desatentos, repetimos mecanicamente. Perceber isso é um bom ponto de partida para buscar uma mente mais clara.

Para meditar bem

Atenção: você pode fazer isso em sua casa, na frente das crianças
Não é preciso atingir o nirvana, a plenitude que os monges buscam em estados alterados da consciência, para tirar proveito da meditação. Não é indispensável sequer sentar no chão com as pernas cruzadas, a conhecida postura de flor-de-lótus a que se habituaram os orientais. Você pode meditar em casa, sem sair da poltrona.
Algumas dicas para melhorar sua performance meditativa:

• Respire fundo. Isso oxigena o cérebro e deixa a mente mais ágil. Se você estiver muito agitado, expire mais longamente para estabilizar a mente.

• Posicione o queixo paralelo ao chão e a coluna ereta com leve projeção das cervicais para trás, como se fosse corrigir sua curvatura.

• Mantenha a língua debaixo dos dentes da arcada superior e o maxilar relaxado. Para evitar que a boca fique aberta, esboce leve sorriso (lembra aquele sorriso dos budas? Trata-se de um gesto pragmático).

• Deixe os olhos semicerrados, mirando a 45 graus. Há quem diga que é melhor fechá-los, pois costumamos empregar 25% da nossa energia psíquica com a visão. Quem defende a primeira postura, afirma que olhos fechados facilitam a visualização e, através dela, a dispersão. Algumas técnicas meditativas, no entanto, estão centradas justamente na visualização.

• Concentre-se na respiração, acompanhando os movimentos do abdomen com uma contagem regressiva de 10 a 1. Recomeçe-a durante todo o tempo da meditação ou quando pensamentos desviarem sua atenção. Outra alternativa é entoar mentalmente um mantra, que pode ser uma única palavra que lhe soa bem. Por exemplo: amor. O resto é deixar fluir.

Para saber mais

Na livraria: Emoções que Curam
Daniel Goleman (org.), Rocco, 1999.

Ch’an Tao – Essência da Meditação
Jou Eel Jia, Norvan Martino Leite e Lilian Fumie Takeda, Editora Plexus, 1998.

Na internet:
www.newscientist.com/nsplus/insight/big3/conscious
www.meditationcenter.com
www.palasathena.org.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Espiritismo , que religião é essa?

Criado por um pedagogo, o Espiritismo surgiu na França no século XIX. Hoje, o Brasil possui a maior comunidade espírita do mundo. Saiba tudo sobre a religião que considera a morte apenas uma etapa da evolução pessoal e que acredita na vida em outros planetas

Jesus Cristo não é o enviado de Deus à Terra. É apenas um espírito mais evoluído que serve de guia para toda a humanidade.

A morte de um ente querido, por mais dolorosa que seja, não deve ser encarada de forma absolutamente negativa. Muitas vezes, é apenas o encerramento de uma missão no mundo dos vivos.

Vivemos cercados de espíritos, alguns bons, outros ruins.







As afirmações acima – que batem de frente com os princípios fundadores de muitos credos, entre eles a fé católica e todas as demais religiões dela derivadas – costumam ser proferidas de maneira desassombrada pelos espíritas em centenas de centros espalhados pelo Brasil. Pudera. Fazem parte das idéias básicas de uma religião professada por 2,3 milhões de brasileiros, segundo o último censo do IBGE.

A enorme receptividade do Espiritismo no Brasil é mais um dos inúmeros paradoxos da fé em terras tupiniquins. Embora a pátria-mãe do Espiritismo seja a França – país de Allan Kardec, o homem que, no século XIX, compilou e decodificou os princípios que até hoje orientam os 15 milhões de adeptos no mundo todo –, foi no Brasil que essa religião, gestada numa era em que a ciência se desenvolvia vertiginosamente, encontrou terreno fértil para se alastrar do Oiapoque ao Chuí. Por quê? A resposta está tanto no Espiritismo quanto no povo brasileiro.





Religião ou doutrina?


Se você perguntar a algum freqüentador assíduo de centro espírita, provavelmente receberá a seguinte resposta: o Espiritismo é uma doutrina revelada pelos espíritos superiores a Allan Kardec, que a codificou em cinco obras: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1859), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1863), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

Mas isso explica muito pouco. Doutrinas há de todas as cores e matizes ideológicos. O Marxismo também é uma doutrina baseada em um livro fundamental (no caso, O Capital, de Karl Marx), mas nem por isso deve ser encarado como uma religião. A Psicanálise, também. Assim ocorre com outras filosofias. A diferença básica está na forma de encarar a realidade. “Se você explica a realidade social pela realidade transcendente, sua visão é religiosa”, afirma Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudiosa do Espiritismo no Brasil. Isso quer dizer que, sim, o Espiritismo é uma religião – pois apresenta toda uma série de explicações espirituais e divinas para eventos tão comezinhos quanto o mau humor do seu vizinho e tão devastadores quanto a morte de alguém em sua família.

Típico rebento do século XIX – o mesmo das teorias evolucionistas de Charles Darwin, da Tabela Periódica, da redescoberta das filosofias orientais e do Positivismo de Auguste Comte –, o Espiritismo consegue a proeza de mesclar Catolicismo primitivo (caridade), Budismo (reencarnações), Darwin (evolucionismo) e um caldeirão de credos esotéricos que estavam em plena voga nos anos 1800 – e que geraram filosofias tão diversas como o Espiritualismo de Emannuel Swedenborg e a Teosofia de Madame Blavatsky. “É uma religião de síntese”, afirma Maria Laura.

E só poderia ser assim mesmo. Seu iniciador, Allan Kardec (1804-1869), era um pedagogo que fundou na própria casa um curso gratuito de Química, Física, Anatomia e outras ciências que galvanizaram as mentes curiosas do século XIX e ajudaram a preparar o terreno para as revoluções científicas da nossa era. Kardec inclusive chegou a estudar Medicina, mas logo abandonou os planos de atuar nessa profissão. É por essa razão que, desde o início do movimento espírita, ele sempre fez questão de apresentar, com um vocabulário inspirado nas ciências, eventos como comunicação com espíritos e o movimento de objetos sem ação humana aparente. Num texto bastante famoso, o iniciador do Espiritismo explica seu método: “Apliquei a esta nova ciência, como tinha feito até então, o método de experimentação; nunca elaborei teorias preconcebidas: eu observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências...”.




A identificação explícita com o método de dedução científica foi uma tentativa de livrar o Espiritismo da pecha de irracionalidade num tempo em que a Razão era um verdadeiro dogma. E também foi – numa estratégia inversa – uma afirmação do Espiritismo como reunião de doutrinas religiosas, científicas e filosóficas para fazer frente às verdades incontestáveis da Igreja Católica. E essa, logo iria mostrar seu desagrado com a nova religião. Porque a afirmação do Espiritismo foi uma luta difícil e demorada, como se verá a seguir.


COMO SURGIU

Um dia, andando pelas ruas de Paris, Hippolyte Léon Denizard Rivail encontrou-se com um amigo de nome Carlotti, que lhe descreveu uma série de eventos extraordinários, supostamente provocados pela ação direta de espíritos.
Curioso e ainda descrente, Rivail começou a freqüentar algumas reuniões – e teria visto seu ceticismo virar picadinho ao observar mesas e outros objetos ganharem movimento sem a ajuda de qualquer pessoa ou mecanismo especial. Disposto a entender esses fenômenos, Rivail mergulhou no estudo de várias correntes do misticismo e começou (num gesto que viria confirmar suas inclinações científicas) a experimentar e repetir vários daqueles que seriam fenômenos de comunicação com o mundo dos mortos.
Numa das sessões que presenciava, Rivail ouviu de um médium que ele já fora um celta chamado Allan Kardec. E que, como Kardec, ele deveria reunir os muitos ensinamentos e conclusões dos últimos séculos numa doutrina que propagasse os ideais de Cristo e trouxesse alívio para os corações dos homens. Imbuído desse espírito (sem trocadilhos), Kardec começou a trabalhar na síntese que gerou o Espiritismo.
Em 1857, Kardec trouxe à luz O Livro dos Espíritos. É a partir dessa obra que se pode falar em Espiritismo (a palavra, aliás, é um neologismo cunhado pelo próprio Kardec para diferenciar a nova religião dos inúmeros espiritualismos que estavam na moda). E – outro elemento de diferenciação com as demais religiões – tinha a retórica livremente inspirada no vocabulário e no método expositivo dos livros de ciências naturais do século XIX. Uma linguagem sintética, facilmente compreensível e nada hermética.
Contudo, a nova religião iria despertar a fúria da Igreja Católica. Os motivos dão força a um debate que, mesmo hoje, mais de cem anos depois, ainda inflamam adeptos e estudiosos acadêmicos. Primeiro motivo: no Espiritismo, Cristo não é o filho de Deus – mas um espírito mais evoluído. Segundo motivo: a Redenção no Catolicismo é um evento único, total, universal. No Espiritismo ela se dá em conta-gotas, a cada passo da evolução de cada um dos espíritos.
Só essas duas diferenças já serviriam para provocar uma cisão. Sem falar na possibilidade de reencarnação, que não existe no Catolicismo. Mas – pelo menos entre os espíritas – a identificação com a fé cristã é total. “A fé espírita é baseada nos ensinamentos de Jesus: logo, é uma religião cristã”, afirma Durval Ciamponi, presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
“O Espiritismo não é uma religião cristã”, diz Antônio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores estudiosos da religiosidade brasileira. “Os espíritas utilizam o Cristianismo para se legitimarem.” Pierucci vai mais longe. Afirma que esse vínculo com a Igreja Católica pregado pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação: “O Espiritismo faz força para não parecer uma religião exótica”.
Esse alinhamento com os evangelhos pode ser explicado pelas perseguições sofridas pelos adeptos do Espiritismo. Já em 1861, o bispo de Barcelona, na Espanha, promoveu um auto-de-fé com livros espíritas. Uma enorme fogueira queimou os livros de Kardec. Junto com a Igreja, nessa mesma época cientistas e políticos europeus (influenciados pela Igreja ou não encontrando na doutrina o rigor que ela declarava ter) iniciaram uma poderosa campanha de difamação do Espiritismo.





No final das contas, grande parte dos estudiosos acadêmicos do Espiritismo considera a religião uma espécie de neocristianismo. “Jesus Cristo é um elemento comum entre as duas religiões. As diferenças não apagam as semelhanças”, afirma Maria Laura.
E assim, identificado com o Cristianismo, o novo credo se alastrou pelo mundo. Chegando ao Brasil em 1860, o Espiritismo logo foi adotado por intelectuais, militares e funcionários públicos. Porém, o rastro de perseguição também chegou até aqui. O Código Penal de 1890 classificava o Espiritismo como crime. Apesar disso, a religião se fortalecia e expunha à população um dos seus lados mais meritórios: a caridade. E o ato de fazer bem às comunidades próximas dos centros espíritas se tornou uma marca tão forte no Espiritismo brasileiro que ajudou a transformar a religião e a lhe emprestar uma face tipicamente verde-amarela. É isso, em parte, que ajuda a explicar o salto quantitativo do Espiritismo no Brasil.





Há até uma cidade fundada exclusivamente por espíritas. Palmelo, a 200 quilômetros de Goiânia, GO, surgiu a partir da criação de um centro espírita, em 1929. Recebendo cerca de 50 000 visitantes todos os anos, que ali procuram consolo para inúmeras aflições físicas e espirituais, Palmelo (que foi emancipada em 1953) não permite a venda de bebidas alcoólicas e, em suas ruas, placas apresentam “pílulas” de ensinamentos espíritas extraídos dos livros de Allan Kardec.



A cidade goiana, porém, é um fato isolado. No resto do Brasil, os agrupamentos espíritas distinguem-se pela sobriedade e pelos baixos níveis de proselitismo. E mesmo com sua enorme difusão em terras brasileiras, a religião continua sendo, até hoje, uma fé professada pela classe média urbana (que, por receio de discriminação, não costuma ostentar traço algum da sua opção religiosa). “O Espiritismo difundiu-se entre profissionais liberais e pessoas da classe média dos centros urbanos porque exige leitura e instrução”, afirma Marcelo Camurça, professor de Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais.
Quem já freqüentou um centro espírita sabe disso. A atmosfera lembra ligeiramente um congresso universitário. Um auditório atento, muitas vezes municiado de algum dos livros de Kardec, escuta as leituras e os comentários feitos por um ou mais “palestrantes” reunidos em uma mesa. Tudo de um modo sóbrio e nada espetaculoso. “A sobriedade é uma das maiores fontes de identificação do Espiritismo entre a classe média”, afirma Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti.
A disciplina é outra exigência não assumidamente declarada. Vai daí o grande número de militares que, desde os primórdios, mergulhou nos ensinamentos de Kardec. Um dos mais famosos espíritas fardados do Brasil é o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional e líder de um centro espírita na capital federal.
Por causa de suas origens declaradamente científicas e pelo discurso que prega a racionalidade, o Espiritismo vem atraindo médicos – céticos diplomados e profissionais – nas últimas décadas. Fundada em 1968, a Associação dos Médicos Espíritas do Brasil (Amebrasil) reúne cerca de 1 200 médicos que estudam e tentam transpor para a prática diária da Medicina alguns dos princípios do Espiritismo.
É uma questão polêmica. O Espiritismo prega o tratamento homeopático e são célebres na trajetória brasileira da religião os casos de médiuns (como o mineiro José Arigó, que incorporava um suposto doutor Fritz e, inspirado por ele, fazia escatológicas cirurgias em milhares de pessoas entre os anos 50 e 70) que reúnem multidões de desvalidos em operações de fundo de quintal. Está-se falando de dois elementos que configuram prática ilegal da Medicina: receitar remédios e operar doentes sem licença para isso.
No entanto, esses aspectos não são levados em conta pelos médicos espíritas. “Sempre usei a alopatia e o próprio Chico Xavier sempre se operou pela Medicina tradicional”, afirma Marlene Rossi Severino Nobre, médica aposentada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo e presidente da Amebrasil. Marlene – que trabalhou com Chico em Uberaba no início da década de 60 e com ele chegou a psicografar algumas obras – não divisa conflito algum entre Medicina e Espiritismo. “O médico espírita leva aos seus pacientes os ideais de caridade da doutrina Espírita”, diz. “A Medicina é muito reducionista”, afirma. Para ela, a única explicação para a vida biológica, para o surgimento das células e para a evolução do Homem é a ação de forças superiores, ainda pouco compreendidas pela humanidade.
Nos próximos anos, os médicos da Amebrasil pretendem intensificar uma série de experimentos para comprovar eventos como campo magnético e experiências de quase-morte, até hoje inexplicados pela ciência tradicional. Sem contar com aval universitário algum, nem com qualquer tipo de estímulo de órgãos tradicionais de fomento à pesquisa como Capes e CNPq, a Amebrasil equilibra-se numa corda-bamba entre ciência e fé. É uma polêmica que promete esquentar os meios médicos e espíritas brasileiros num futuro próximo.


Mas um comportamento sóbrio, a prática da caridade e a adesão crescente de setores da Medicina não explicam totalmente o ibope do Espiritismo no Brasil. A fé espírita germinou aqui mais do que em qualquer outro lugar porque encontrou um terreno fértil para grande parte de seus princípios. Uma mistura muito brasileira de crenças católicas populares herdadas de Portugal, adoração aos mortos e religiosidades indígena e negra ajudou a alastrar o alcance da fé.
E foi no Brasil que surgiu o maior médium desde Allan Kardec. Francisco Cândido Xavier (1910-2002), franzino e modesto, com uma saúde combalida desde sempre, encarnou como ninguém os ideais de comedimento, benevolência e austeridade do Espiritismo. Sua adesão à fé obedeceu aos insondáveis princípios de uma predestinação.


Órfão ainda na infância, Chico teria começado a se comunicar e a se aconselhar com o espírito da mãe. Na escola, durante as comemorações do Centenário da Independência, em 1922, a turma de Chico deveria escrever uma redação sobre o acontecimento nacional. Durante a aula, o menino teria se perturbado com a presença de um homem ao seu lado, ditando-lhe o texto – que obteve menção honrosa.
Com 18 anos e buscando uma explicação para os fenômenos que o teriam acompanhado desde a infância, Chico já é um freqüentador de centros espíritas. E logo fica bem claro para todos que aquele rapaz de saúde frágil é um médium destinado a limpar as últimas nódoas de marginalidade que ainda recobrem o Espiritismo no Brasil. É a partir desse momento que ele teria entrado em contato com as primeiras manifestações do espírito Emmanuel – o que lhe renderia o posto de “co-autor” de nada menos que cerca de 400 títulos por ele psicografados sob inspiração do espírito e que venderam 25 milhões de livros em todo o mundo.
Com Emmanuel (que teria sido o senador romano Publius, depois um escravo cristão dilacerado por leões e, finalmente, o padre Manuel da Nóbrega, já em terras brasileiras), Chico realizou vários avanços na doutrina formada por Kardec, alastrando a sabedoria espírita para outros campos, como ciências sociais e economia. Imbuído do espírito de caridade, Chico destinou toda a renda a entidades sociais e aposentou-se com um modesto salário de funcionário público.
Quando morreu, em 30 de junho deste ano, deixou uma multidão de seguidores e leitores em todos os cantos do planeta e uma lição de humildade e amor ao próximo que transcende os limites do Espiritismo.

O QUE PREGA
Para entender o Espiritismo, é preciso saber que a base de toda a religião está exposta nas cinco obras seminais de Allan Kardec. Desde esse nascimento na França oitocentista, o Espiritismo reivindica não apenas um status de religião, mas também de ciência e de filosofia. Ou seja: é uma fé e uma doutrina cujas manifestações – contato com espíritos, regressões a vidas passadas e textos psicografados – poderiam ser comprovadas através do método dedutivo herdado da ciência.
Segundo o Espiritismo, todo homem é um médium, um canal de comunicação entre os vivos e os espíritos. Por isso, não existe um papa espírita nem qualquer tipo de hierarquia dentro da religião (a ausência de paramentos e cerimoniais também é uma característica “racionalista” dentro da fé espírita). Nos centros espíritas, por exemplo, a função de liderança geralmente está reservada ao médium mais experiente ou ao próprio fundador do centro.
A simplicidade pregada pelo Espiritismo também estaria explicitada pela inexistência de grandes rituais de passagem como casamentos, batismos e enterros. Isso porque os espíritas acreditam ser desnecessário o vínculo com Deus – “a inteligência suprema”, como prega Allan Kardec. Céu, inferno e diabo virtualmente não existem no horizonte espírita. Isso porque o Bem e o Mal podem estar dentro de cada um, sem que haja a necessidade de uma localização para cada um.
Os médiuns comunicam-se com os espíritos das mais diversas maneiras. Houve um tempo em que a comunicação se dava por meio de batidinhas na parede, mas hoje, na maioria dos centros espíritas, as principais formas de comunicação costumam ser a psicografia e a incorporação. Em sessões chamadas de “desobsessão” (quando um espírito cheio de más intenções incomoda uma pessoa), os médiuns incorporam essas entidades chamadas “obsessoras” e procuram convencê-las da falta de sentido em assombrar a vida dos “encarnados”.
O Espiritismo acredita que os espíritos são criados numa espécie de “ponto zero”, onde todos são imperfeitos e devem chegar – ao longo de várias e sucessivas encarnações – à perfeição. A cada encarnação o espírito aprende um pouco mais sobre bondade, tolerância e caridade. Claro que nem todos são “santos”: o livre-arbítrio (a capacidade de cada um escolher o seu destino) é um elemento importante da religião. Por isso, haveria espíritos deliberadamente “maléficos” fadados a intermináveis (e sofridas) encarnações na Terra. Os espíritos só se tornarão mais iluminados e superiores na medida em que forem eliminando seus maus hábitos, os aspectos ruins do seu caráter e passarem a praticar o bem.
Um fato curioso é a crença dos espíritas na vida em outros planetas. “Os espíritos são intergalácticos”, afirma Durval Ciamponi, da Federação Espírita de São Paulo. Isso não significa, necessariamente, a existência de ETs pilotando discos voadores pelo espaço sideral: mas formas de vida – inclusive minerais – que são habitadas por espíritos em diferentes estágios de evolução em lugares tão inóspitos quanto Saturno ou Plutão. Essa crença numa força divina interplanetária fez do Espiritismo, desde a década de 1960, um dos elementos que ajudaram a compor as religiões new age. “O Espiritismo antecipa toda essa onda de religiões e doutrinas da Nova Era”, afirma Marcelo Camurça, da UFJF.
Kardec fatiou o homem em três porções básicas: espírito (“essência imortal”), corpo (“invólucro material”) e perispírito (“corpo” que reveste o espírito). Quando uma pessoa morre, sua alma e seu perispírito libertam-se do corpo e passam a seguir um trajeto rumo à reencarnação. Um espírito irá encarnar tantas vezes quantas forem necessárias para atingir a perfeição. O mundo material, portanto, seria uma espécie de universidade onde os espíritos aprendem com as provações.
É nesse mundo que nos coube viver que cada ação seria avaliada como mais um aspecto da evolução pessoal. O velho adágio “aqui se faz, aqui se paga” recebe, no Espiritismo, uma validade bastante concreta. E são essas “dívidas”que explicariam, por exemplo, o nascimento de uma criança sem cérebro ou a paralisia de um adulto: tragédias pessoais que, do ponto de vista da doutrina, seriam necessárias para que o espírito refletisse e compreendesse que todos os reveses acontecem para seu benefício durante a evolução.
Temas incandescentes como aborto, eutanásia e suicídio são condenados – como na maior parte das religiões –, mas sua possibilidade existe porque cada um conta com o livre-arbítrio.
O percurso evolutivo de cada um explica as diferenças sociais, de saúde ou de capacidade intelectual. As benesses ou tragédias de cada um fazem parte do carma – que pode ser revertido graças a ações meritórias. Pois fazer o bem para os outros, no Espiritismo, é fazer o bem para si mesmo. Por isso a caridade é um dos elementos mais importantes da religião: ela serve para amenizar o sofrimento alheio e “conta pontos” na evolução de quem a pratica.
“Fora da caridade não há salvação”, prega a mais famosa frase de Allan Kardec. Pode-se discordar ou mesmo refutar desdenhosamente os princípios do Espiritismo. Porém, é virtualmente impossível fazer troça ou ignorar o legado de respeito ao próximo difundido por essa religião. Um princípio que, tranqüilamente, pode ser seguido por qualquer um que habite o nosso planeta. Acredite em Deus ou não.



Pequeno vocabulário espírita


Nas cinco obras que deixou para a posteridade, Allan Kardec estabeleceu os princípios básicos da doutrina espírita. Uma curiosa mistura de conceitos religiosos com alguma terminologia científica do século XIX. Conheça alguns dos principais termos do Espiritismo:
Universo
Criação de Deus. Todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados fazem parte dele. Comporta vários mundos habitados com seres em diferentes graus de evolução.

Deus
É considerado uma forma de inteligência suprema. Eterno, imutável, imaterial, justo, bom e onipotente.
Cristo
Ao contrário do que pregam a maior parte das religiões cristãs, Jesus Cristo não é o filho de Deus, mas um espírito mais evoluído. E um modelo para toda a humanidade.
Espíritos
Seres inteligentes da criação. São criados ignorantes e evoluem ao longo de várias vidas até alcançarem a perfeição. Dividem-se em “espíritos puros” (perfeição máxima), “bons espíritos” (em que predomina o desejo do bem) e “espíritos imperfeitos” (caracterizados pelo desejo do Mal).
Homem
Espírito encarnado em um corpo material.
Reencarnação
O espírito atravessa várias existências como encarnado. Cada uma delas é um estágio evolutivo rumo à perfeição.
Desencarnar
A morte (desencarnação) é encarada como apenas mais um estágio da vida espiritual – considerada a verdadeira vida. Não é compreendida como uma cisão definitiva entre as pessoas que se amam, mas apenas uma separação temporária no mundo físico.
Livre-arbítrio
O homem tem várias escolhas na vida, mas responde por todas as suas ações.
Prece
A prece torna melhor o homem e é um ato de adoração a Deus.

Abençoado por Deus

Paradoxos do país tropical: a maior nação católica do mundo (cerca de 125 milhões de praticantes, segundo o censo do IBGE) ofereceu, desde os primórdios da colonização, um terreno fértil para a mistura de credos e favoreceu o surgimento de modalidades de fé genuinamente brasileiras. Religiões tão diversas quanto Candomblé, Catimbó, Pajelança, Tambor de Mina, Umbanda e a face nacional do Espiritismo formaram-se a partir de elementos comuns.
Uma das maiores explicações para o sincretismo brasileiro estaria no Catolicismo legado pelos portugueses. A fé católica que veio de além-mar é muito mais “íntima” e “pessoal” do que a de outros países cristãos da Europa. Em Portugal e, em seguida, no Brasil, a relação dos homens com Deus geralmente é filtrada pelo santo da predileção de cada um. Antes de recorrer a Deus, portugueses e brasileiros vão bater na porta do santo mais próximo. A profusão de anjos da guarda, de rezas particulares e de toda uma sorte de benzeduras favoreceu a mescla de elementos cristãos com outros originários dos rituais indígenas e africanos.
Outro elemento do Catolicismo popular que iria ser combinado com práticas religiosas nativas é a adoração aos mortos. Procissões populares e mesmo o hábito de “conversar” ao pé do túmulo de um ente querido favoreceram a penetração de credos em que o contato com o mundo dos mortos é um dos elementos básicos – como o Espiritismo.
Assim como, no campo racial, a mestiçagem serviu para anestesiar certos conflitos, a Igreja portuguesa soube incorporar – ou, no mínimo estrategicamente, não quis condenar – algumas manifestações religiosas inspiradas no Catolicismo que surgiram ao longo da história brasileira. Festas populares repletas de elementos de outros credos, divindades africanas que poderiam ser “permutadas” por equivalentes na fé cristã (Oxalá Jovem = Menino Jesus) e o saudável livre-trânsito, tipicamente nacional, entre mundos religiosos paralelos (milhões de brasileiros comparecem às quartas no terreiro e aos domingos na missa), forjaram a democracia religiosa nacional.
“O Catolicismo no Brasil sempre favoreceu a mistura”, diz a médica e pesquisadora Eneida D. Gaspar, autora do Guia de Religiões Populares do Brasil. Eneida afirma que foi graças a essa postura mais flexível da Igreja que religiões como Umbanda – uma mistura de elementos cristãos, espíritas e africanos – ganharam forma no início do século XX.
Mas nem tudo são flores na trajetória das religiões brasileiras. A maior parte delas foi condenada no início justamente porque apresentava forte influência africana. Terreiros de Candomblé eram sistematicamente fechados pela polícia ainda nos anos 50.
A forma encontrada para o fim da discriminação diz muito sobre a alma brasileira: quando brancos de classe média, com conhecimento do Espiritismo, ingressaram nos terreiros, a nuvem de preconceito rapidamente se dissipou.
A Umbanda é um caso exemplar dessas transformações da religiosidade brasileira. Mesclando os principais ensinamentos do Espiritismo com o ritualismo e a força teatral do Candomblé, a Umbanda fez com que o preconceito contra práticas africanas – no idioma da discriminação, todas as religiões negras são “macumba” – fosse diminuindo com o passar dos anos graças à freqüência de um público de maior poder aquisitivo.






Paradoxalmente, no momento em que a Igreja parou de discriminar outras crenças, incorporando elementos africanos e indígenas, as igrejas neopentecostais – ou evangélicas – desestimulam seus fiéis à prática do sincretismo. Associam-no à prática de satanismo.

Frases

O “passe” é um dos elementos mais fortes do Espiritismo. Durante a sessão, o médium transmitiria a outras pessoas forças consideradas benéficas para sua saúde física e espiritual
A leitura dos livros básicos do Espiritismo é uma das exigências da religião iniciada por Allan Kardec
Kardec chegou a estudar Medicina, mas logo perdeu o interesse pelo mundo concreto
Nos primórdios do Espiritismo, a Igreja Católica queimava os livros de Kardec nas praças
O mundo dos espíritos – a alma de pessoas que morreram – comunica-se com os vivos por meio do pensamento e de textos psicografados
Alguns espíritos considerados mais evoluídos transmitiriam ensinamentos e contariam histórias através da psicografia. Somente Chico Xavier, que teria incorporado Emmanuel, publicou mais de 400 livros
No Brasil, grande parte dos conflitos religiosos foram amenizados pelo sincretismo


Os espíritas acreditam que um copo d’água como este pode ser energizado durante as sessões


Para saber mais

Na livraria
Espiritismo, Eduardo Araia, Ática, São Paulo, 1996
Guia de Religiões Populares do Brasil, Eneida D. Gaspar, Pallas, Rio de Janeiro, 2002
O Que é Espiritismo, Allan Kardec, Instituto de Difusão Espirita, Araras, 1990
A Realidade Social das Religiões no Brasil, Antônio Flávio Pierucci e Reginaldo Prandi, Hucitec, São Paulo, 1996
A Magia, Antônio Flávio Pierucci, Publifolha, São Paulo, 2001
Na Internet
www.febrasil.org.br

 Fonte: Revista Superinteressante - setembro 2002